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E se a Marina ganhasse as eleições?

Para aqueles que acreditavam que a candidata evangélica Marina Silva, caso eleita, atenderia aos interesses e anseios do povo cristão, sobretudo evangélicos, em face de algumas propostas de leis e tendências ameaçadoras ao conjunto de crença e valores cristãos, sinto muito em dizer mas estão sinceramente enganados. Marina, embora evangélica, é cria do PT, logo, herdeira de sua ideologia politica e visão de mundo, o que a coloca longe de ser uma figura messiânica que poderia, como sonha alguns, transformar o Brasil num Israel tupiniquim, soma-se a isto o fato de que estamos num país laico, não numa teocracia, aliás a laicidade do Estado foi uma das conquistas do protestantismo, diga-se de passagem.

O problema é que os que assim pensam em relação à um presidente evangélico costumam fazê-lo na perspectiva dos governantes hebreus do antigo Israel, ou seja, criam uma utopia de que um presidente evangélico, por ser evangélico, terá seu governo automaticamente abonado por Deus, independente de suas capacidades pessoais, perfil ético-moral e compromisso ideológico-partidário. Não, nada pode estar mais equivocado.

Mesmo na hipótese de Marina, ou qualquer outro evangélico, vir a governar o país, jamais poderíamos esperar que certos aspectos e práticas típicas da realidade política, social, cultural e religiosa brasileira viessem a mudar por isto. Idolatria, diversidade religiosa, sensualidade, carnaval, criminalidade, violência, corrupção, impunidade etc, são traços característicos do retrato sócio-cultural da nação brasileira, aspectos entranhados e impossíveis de se remover, à menos que haja uma intervenção divina, nos moldes dum avivamento wesleyano, e oxalá que tal acontecesse!

Não, este país não é o Israel Bíblico, e nossos governantes não são os soberanos da linhagem davídica. E em que pese sermos quase 20% de evangélicos, este pais é muito mais Egito do que Canaã, terra prometida. E por falar em Egito, quando ali esteve José, um servo de Deus no governo da casa de Faraó, os egípcios não se tornaram menos idólatras ou perversos, e se houve algum resultado positivo do governo de José, este foi alcançado pela presciência de Deus, o qual não apenas colocou José naquela circunstância, como cuidou para que Sua vontade soberana se cumprisse através dele.

Logo, percebe-se que José, ou qualquer outro hebreu, jamais teria estado onde esteve se Deus não o permitisse. Foi Deus quem quis, e não uma escolha pessoal de José. Caso José de alguma forma tivesse conseguido chegar aonde chegou, como fruto de sua própria escolha, Deus não teria nenhuma obrigação de fazer o que fez através dele. De igual forma, o fato de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abdnego estarem na corte babilônica não tornou a babilônia menos idólatra, sensual, cruel e digna de não ter seu nome associado em Apocalipse com o Sistema mundano inimigo das coisas de Deus.

Posto isto, Marina não poderia se basear na Bíblia para governar o país como o rei hebreu deveria se basear na lei mosaica para governar Israel, ela não pode trocar a Constituição pela Bíblia, pois, se assim fizesse, no dia seguinte conseguiria um impeachment. Isto significa dizer que as convicções religiosas de Marina são uma, a sua conduta política, outra, trocando em miúdos, o modus vivendi, o status quo da nação brasileira caracterizado pelos aspectos acima citados, permanecerá o mesmo, com ou sem Marina. Isto não significa que Marina, caso eleita, não exerceria um bom governo, não está aqui em questão o mérito e capacidade dela como política, como gestora. Ao contrário, numa eventual eleição em que Marina conduzisse seu governo com justiça, equidade e sabedoria, com toda a certeza faria um ótimo governo.

Também queremos considerar que aquilo que se pretende evitar com a eleição de outros candidatos (as), como questões polêmicas, antibíblicas, e que vão de encontro aos valores cristãos, legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo etc não significa que não aconteceria caso ela fosse eleita, pois, tais temas, não são caprichos de um determinado governo, mas sim as exigências de uma sociedade hostil aos valores tradicionais, e pior ainda, exigências que emanam sobretudo da “toda-poderosa ONU”. É irremediável, gostemos ou não, com Marina, Serra, ou Dilma a coisa vai acontecer cedo ou tarde, e aí se cumpre Jó 3:25 quando diz :” Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.”

Finalmente, em tempos de definição profética, exerçamos nossa cidadania fazendo nossas escolhas de acordo com o que entendemos ser a melhor opção, se é que há uma melhor opção. Muitos me condenarão alegando que não tenho uma visão que contemple as possibilidades da política para os interesses do Reino, o que não é verdade, o que não tenho é compactuação com utopias convenientes propostas e defendidas por alguns líderes que estão ávidos para trocarem o púlpito onde Deus lhes colocou pelo plenário da casa política do deus deste mundo. Há um bom tempo temos uma bancada evangélica e nem por isto a situação política do pais se alterou positivamente, ao contrário, nunca se corrompeu tanto, sem contar escândalos envolvendo políticos evangélicos. E porquê não falar dos pastores que apoiam o PT, um partido cuja ideologia, o marxismo, é totalmente contra os fundamentos da fé cristã. Se for para votar vou votar em quem seja capacitado, do ponto de vista ético-moral, cultural e, sobretudo, espiritual, conquanto que não esteja ligado ao ministério da palavra, para que dele não tenha que abdicar em favor dos interesses seculares,  mas o que vale mesmo é guardar o que temos pra que ninguém roube nossa coroa (Apoc 3:11).

 

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